Saneamento básico no Brasil: quantos têm água, esgoto e coleta de lixo

Pelo Censo 2022, 37% dos brasileiros vivem sem ligação à rede de esgoto e 27 milhões não têm água da rede geral. Veja os dados de cada estado e a distância até as metas de 2033.

Vista aérea de uma estação de tratamento de água
Foto: Saiphani02 (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

Água tratada, esgoto e coleta de lixo parecem serviços básicos, mas ainda não chegam a uma parte grande da população brasileira. A falta de saneamento afeta diretamente a saúde, principalmente das crianças, e a qualidade de rios e praias. Neste artigo, usamos os dados do Censo 2022 para mostrar quantas pessoas têm acesso a cada serviço e como a situação varia entre os estados.

62,5%
Da população com esgoto ligado à rede geral
82,9%
Da população com água da rede geral como principal fonte
90,9%
Da população com lixo coletado
1,2 mi
Pessoas em casas sem banheiro nem sanitário

Esgoto: o maior atraso

O esgoto é o serviço mais atrasado. Veja como os brasileiros se dividem pelo destino do esgoto de suas casas:

Destino do esgoto dos brasileiros (% da população, Censo 2022)

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (SIDRA tabela 7555)

  • 62,5% da população (126 milhões de pessoas) está ligada à rede geral de esgoto ou a fossas conectadas a ela.
  • 13,2% usa fossa séptica não ligada à rede, uma solução individual que, quando bem construída e mantida, é considerada adequada em áreas sem rede.
  • 19,4%, cerca de 39 milhões de pessoas, usa fossa rudimentar ou buraco, que contamina o solo e a água subterrânea.
  • 4,1 milhões de pessoas despejam o esgoto diretamente em rios, lagos ou no mar, e quase 3 milhões em valas a céu aberto.
  • 1,2 milhão de pessoas vivem em casas sem banheiro nem sanitário.

A desigualdade entre os estados

População com esgoto ligado à rede geral, por estado (%)Rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede. Censo 2022.

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (SIDRA tabela 7555)

Em São Paulo, 90,8% da população tem esgoto ligado à rede. No Amapá, só 10,9%, e em Rondônia, 13,3%. Nos estados do Norte e de parte do Nordeste, a solução mais comum ainda é a fossa rudimentar: ela atende 58,9% da população de Rondônia, 48,3% do Maranhão e 46,7% do Tocantins.

Água: 27 milhões sem ligação à rede

A situação da água é melhor que a do esgoto, mas ainda incompleta. Em 2022, 82,9% dos brasileiros tinham a rede geral como principal fonte de água. Outros 3,7% eram ligados à rede, mas usavam principalmente outra fonte, como poços. E 13,4%, cerca de 27 milhões de pessoas, não tinham nenhuma ligação com a rede geral, dependendo de poços, nascentes, cisternas de água da chuva, carros-pipa ou rios.

Os piores índices estão na região Norte: no Amapá (43,7%), em Rondônia (45,3%) e no Pará (48,0%), menos da metade da população usa a rede geral como principal fonte de água.

Lixo: 16 milhões ainda queimam o lixo

A coleta de lixo é o serviço mais difundido: chega a 90,9% da população, por coleta na porta de casa ou em caçambas do serviço de limpeza. Mas cerca de 16 milhões de pessoas ainda queimam o lixo na propriedade, prática que polui o ar e causa riscos à saúde. A queima é mais comum no Maranhão (27,3% da população), no Piauí (24,5%) e no Pará (22,4%).

Os três serviços em cada estado

Água, esgoto e lixo em cada estado (Censo 2022)Percentual da população atendida por cada serviço.
Comparação dos três serviços por estado (%)Passe o mouse sobre um estado para ver os três percentuais. O esgoto é o serviço mais atrasado em todos os estados.
Estado Água da rede geral Esgoto ligado à rede Lixo coletado
Acre (AC) 51,6% 34,0% 75,9%
Alagoas (AL) 67,7% 33,1% 86,7%
Amapá (AP) 43,7% 10,9% 90,4%
Amazonas (AM) 64,7% 29,9% 79,6%
Bahia (BA) 82,7% 52,2% 82,7%
Ceará (CE) 78,8% 40,1% 85,1%
Distrito Federal (DF) 92,8% 84,7% 98,8%
Espírito Santo (ES) 83,7% 74,2% 92,8%
Goiás (GO) 84,4% 52,2% 94,6%
Maranhão (MA) 65,3% 16,5% 69,8%
Mato Grosso (MT) 80,5% 33,0% 88,3%
Mato Grosso do Sul (MS) 87,0% 49,0% 89,7%
Minas Gerais (MG) 87,6% 80,1% 92,5%
Pará (PA) 48,0% 18,6% 75,9%
Paraíba (PB) 74,0% 47,7% 84,1%
Paraná (PR) 88,7% 69,6% 94,3%
Pernambuco (PE) 70,6% 52,3% 84,7%
Piauí (PI) 76,9% 18,3% 73,4%
Rio de Janeiro (RJ) 84,1% 83,8% 98,0%
Rio Grande do Norte (RN) 84,6% 31,5% 90,6%
Rio Grande do Sul (RS) 86,2% 62,4% 95,3%
Rondônia (RO) 45,3% 13,3% 79,2%
Roraima (RR) 80,1% 42,1% 77,7%
Santa Catarina (SC) 83,8% 53,5% 96,7%
São Paulo (SP) 95,6% 90,8% 99,0%
Sergipe (SE) 85,3% 53,6% 91,5%
Tocantins (TO) 81,8% 28,4% 85,0%
Brasil 82,9% 62,5% 90,9%

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (SIDRA tabelas 6894, 7555 e 9541). Percentual da população em cada situação. “Água da rede geral”: rede geral como principal forma de abastecimento. “Esgoto ligado à rede”: rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede.

As metas para 2033

O Novo Marco Legal do Saneamento, de 2020, fixou metas para universalizar os serviços até 31 de dezembro de 2033: 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto. Pelos dados do Censo, o país precisaria levar a rede de água a mais 16 pontos percentuais da população e a rede de esgoto a cerca de 28 pontos a mais, em pouco mais de uma década.

Conclusão

O Censo 2022 mostra um país dividido: em São Paulo, no Distrito Federal e no Rio de Janeiro, mais de 80% da população tem esgoto ligado à rede; no Norte e em parte do Nordeste, a maioria ainda depende de fossas rudimentares, poços e da queima do lixo. O saneamento é o serviço básico mais atrasado do Brasil, e atingir as metas de 2033 exigirá um ritmo de investimento muito maior nas regiões mais carentes.

Fontes dos dados

  1. IBGE/SIDRA — Censo 2022: moradores por tipo de esgotamento sanitário (tabela 7555)
  2. IBGE/SIDRA — Censo 2022: moradores por forma de abastecimento de água (tabela 6894)
  3. IBGE/SIDRA — Censo 2022: moradores por destino do lixo (tabela 9541)
  4. Lei nº 14.026/2020 — Novo Marco Legal do Saneamento Básico

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Evandro do Carmo Salles

Por Evandro do Carmo Salles

Engenheiro de Computação. CEO da DiversiTec. Saiba mais sobre o autor e a metodologia.