
O voto é obrigatório no Brasil para quem tem entre 18 e 70 anos, mas, a cada eleição, uma parcela grande do eleitorado não aparece nas urnas. Neste artigo, reunimos os principais números do primeiro turno das eleições gerais de 2026: quem são os eleitores, quantos votaram, quantos ficaram em casa e quantos anularam ou votaram em branco. O foco aqui são os dados de participação, não o desempenho de candidatos ou partidos.
Quem são os eleitores de 2026
O eleitorado brasileiro chegou a 158.745.463 pessoas aptas a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São 2,3 milhões a mais que em 2022, um crescimento de 1,46%, bem abaixo do ritmo de décadas anteriores. Esse número inclui cerca de 919 mil brasileiros que votam no exterior, que escolhem apenas presidente e vice.
Três características se destacam:
- Mais mulheres: elas são 52,84% do eleitorado, cerca de 83,9 milhões de eleitoras.
- Mais velho: os eleitores com 60 anos ou mais somam 37,5 milhões e passaram de 21% para 23,6% do total entre 2022 e 2026. É reflexo direto do envelhecimento da população.
- Menos jovens: o grupo de 21 a 34 anos caiu de 43,8 milhões para 41 milhões. Os eleitores de até 18 anos são cerca de 3,5 milhões, apenas 2,25% do total.
Onde estão os eleitores
O eleitorado é muito concentrado. Só São Paulo reúne mais de um quinto dos eleitores do país, e os cinco maiores estados somam 52,5% do total.
Fonte: TSE, via Poder360 e Jornal de Brasília
No outro extremo, Roraima tem cerca de 401 mil eleitores, 0,25% do total. Como cada estado elege no mínimo 8 deputados federais, o peso de um voto em Roraima na composição da Câmara é proporcionalmente maior que o de um voto em São Paulo.
A abstenção: 33,5 milhões de ausentes
Dos 158,7 milhões de eleitores aptos, 125,3 milhões compareceram ao primeiro turno, ou 78,92%. A abstenção, de 21,08%, ficou levemente acima da de 2022 (20,95%) e foi a maior em um primeiro turno de eleição geral desde 1998, quando chegou a 21,49%.
Fonte: TSE, via Agência Brasil, Congresso em Foco e Gazeta SP
O gráfico mostra uma tendência clara: depois de cair para cerca de 17% em 2006, a abstenção voltou a subir em todas as eleições gerais seguintes. Nas eleições municipais de 2024, ela já tinha chegado a 21,68% no primeiro turno.
Por que tanta gente não vota, se o voto é obrigatório?
A abstenção não significa apenas desinteresse. Alguns fatores ajudam a explicar o número:
- Voto facultativo para idosos. Quem tem mais de 70 anos não é obrigado a votar. Como esse grupo cresce, uma parte maior do eleitorado pode faltar sem penalidade. Mesmo assim, a abstenção entre eleitores de 70 anos ou mais caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% em 2026, segundo levantamento do Movimento Voto 70+.
- Cadastro desatualizado. Pessoas que mudaram de cidade sem transferir o título, ou que morreram e ainda não foram retiradas do cadastro, entram na conta de ausentes.
- Justificativa e multa baixa. O eleitor pode justificar a ausência, inclusive pelo aplicativo e-Título, e quem não justifica paga uma multa de poucos reais.
- Desinteresse e dificuldade de deslocamento, especialmente para quem vive longe do local de votação.
Votos brancos e nulos
Entre quem foi votar, uma parte não escolheu nenhum candidato a presidente. Foram cerca de 2,3 milhões de votos em branco (1,84%) e 3,7 milhões de votos nulos (2,93%), somando 4,77% dos votos para presidente. Em 2022, os nulos foram 2,82% e os brancos, 1,59%.
Fonte: TSE, via Congresso em Foco
Um mito comum é o de que, se mais da metade dos votos for nula, a eleição é anulada. Isso não é verdade. Votos brancos e nulos são descartados da contagem de votos válidos, que é a base usada para definir o vencedor nas eleições para presidente, governador e prefeito. A anulação de uma eleição só acontece por decisão da Justiça Eleitoral em casos de fraude ou irregularidade, e não pelo volume de votos nulos.
O que acontece no segundo turno
Nas disputas para presidente e governador, se nenhum candidato obtém mais da metade dos votos válidos no primeiro turno, os dois mais votados disputam um segundo turno, marcado para 25 de outubro de 2026. O TSE anunciou ações para tentar reduzir a abstenção nessa segunda etapa. Historicamente, a abstenção no segundo turno costuma ser maior que no primeiro: em 2010, por exemplo, passou de 18,12% para cerca de 21,5%.
Conclusão
O eleitorado de 2026 é maior, mais feminino e mais velho do que nunca, e cresce cada vez mais devagar. A abstenção de 21,08% no primeiro turno confirma uma tendência de alta que vem desde 2006, explicada em parte pelo envelhecimento da população, pelo voto facultativo após os 70 anos e por um cadastro que não acompanha todas as mudanças dos eleitores. No segundo turno, em 25 de outubro, a abstenção recuou para 19,22%.
Fontes dos dados
- TSE — Eleições 2026 em números: 158,7 milhões de eleitores aptos a votar
- Carta Capital — TSE encerra apuração do 1º turno (eleitorado e comparecimento)
- Congresso em Foco — Abstenções, nulos e brancos na eleição de 2026
- Agência Brasil — Abstenção no 1º turno de 2026 e comparação com 1998, 2022 e 2024
- Jornal de Brasília — Perfil do eleitorado 2026 segundo o TSE
- Poder360 — Tamanho do eleitorado de cada estado em 2026
- Congresso em Foco — Abstenção no 1º turno de 2010
- Gazeta SP — Abstenção de 2026 é a maior desde 1998 (série de 2006 a 2022)
- Movimento Voto 70+ — Abstenção de eleitores com 70 anos ou mais
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